Artigo – Presente de Grego (SegFoco 130)

Artigo – Presente de Grego (SegFoco 130)

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Marcos Walter
Marcos Walter

Por Marcos Walter*


O ano começou com a principal dúvida de todos os mercados: enfim, a crise passou? Já dá para ficar mais otimista sobre os rumos da economia? Uma enquete feita pelo site da Revista Seguros em Foco® (www.segfoco.com.br) mostra que, pelo menos no mercado de seguros, a expectativa é otimista. 57% dos internautas que passaram pelo site acreditam que a crise já era. As empresas também estão dando sinal de que o pior já passou e estão retomando, ainda que timidamente, os investimentos.

Segundo especialistas, o Brasil “surfou na crista da marolinha”, tendo sido um dos países que menos sentiram a crise do ano passado. Também não é para tanto. Alguns setores da economia de fato passaram por uma fase difícil, mas o mercado de seguros realmente passou longe de sentir os efeitos da última crise mundial. Aliás, ultima não, penúltima. Sim, porque 2010 já começou com um novo tsunami, que começou a atingir a Europa pelas belas praias gregas. A atual dívida externa da Grécia equivale a 162% de seu PIB, e aumentando graças a um rombo de 13% do PIB em suas contas.

Os governos europeus entraram em estado de alerta e começaram a tomar providências para tentar conter a gigantesca onda de recessão que ameaça o velho continente. Para fornecer uma ajuda na casa de € 110 bilhões, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) exigiram que o parlamento grego aprovasse um “pacotão” de corte de gastos e investimentos, além de aumento de impostos. O parlamento aprovou, e a população grega se revoltou, resultando em confrontos violentíssimos com a polícia. A Alemanha também aprovou – a contragosto dos alemães, diga-se de passagem – um pacote de ajuda para os gregos, na tentativa de evitar que a crise grega contamine os demais países da chamada Zona do Euro. Mesmo assim, a expectativa é de que o novo tsunami da economia deva atingir sem piedade países como Portugal, Espanha e Irlanda, sobrando até para países com economia mais estável, como França e a própria Alemanha, devido à unificação do mercado europeu.

Mas, e o Brasil? Será que desta vez o tsunami cruza o Atlântico com força ou chega novamente como uma mera ressaca? Novamente especialistas acreditam que, a não ser pela “Lei de Murphy” (aquela que reza que, se há a menor possibilidade de algo errado acontecer, acontecerá, e na pior sequência possível), o Brasil será muito pouco afetado pela nova crise européia. Desde o início do ano, mês após mês, economistas vem corrigindo para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira para 2010. Começou o ano em torno de 4,5%, entrando em maio com previsão de crescimento acima dos 7%. Se essas previsões se confirmarem, o Brasil deve obter o 3º maior crescimento do mundo neste ano, perdendo apenas para Índia e China.

Mas não comemore. Crescimento em larga escala só é bom se o país estiver preparado para ele. É como aquele adolescente que cresce muito rápido, mas acaba com escoliose porque a musculatura não acompanhou o crescimento. Junto com o crescimento econômico vem o aumento do consumo. Isso aumenta a demanda que, se não estiver acompanhada da oferta, gera aumento de preços, trazendo de volta o fantasma da inflação (escoliose). Como o Brasil não tem infraestrutura (musculatura) suficiente para suportar um crescimento desse tamanho, a situação precisa ser controlada pelo governo. Leia-se, aumento de juros e diminuição na oferta de crédito, com o intuito de diminuir o consumo (fisioterapia). E, cá entre nós, não conheço ninguém que goste de fisioterapia – a não ser fisioterapeutas, claro.

Em resumo, a crise daqui, se ocorrer, será diferente – e por causas distintas – da crise do velho continente. Mas é sempre bom ficar de olho nos ventos que sopram de além-mar.


*Marcos Walter é formado em Administração de Empresas e atua no mercado financeiro há 22 anos

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Fonte: Revista Seguros em Foco®

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