Conflitos entre pais e filhos podem gerar prejuízos nas corretoras de seguros

Conflitos entre pais e filhos podem gerar prejuízos nas corretoras de seguros

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As tradicionais corretoras de seguro, aquelas formadas pelo pai e que contam com a ajuda nos filhos, podem enfrentar grandes problemas administrativos ocasionados pelos próprios membros da família.  Praticamente todo homem adulto já deparou com uma situação na qual sua opinião era acentuadamente divergente, ou até se opunha a outra posição, tendo verificado ser difícil encontrar um consenso sem um mínimo de desgaste. Com isso, muitas vezes, a solução foi evitar o prolongamento do assunto e manter a distância entra as partes descontentes.

“Situações como essa são ainda mais embaraçosas em empresas familiares, nas quais existem vínculos que impedem um completo afastamento das pessoas, como a relação societária e os laços familiares”, explica Pedro Podboi Adachi, consultor e especialista em empresas familiares.

Os conflitos geralmente surgem nos pequenos detalhes, porém costumam estar respaldados por fundamentos profundos como o desrespeito às diferenças pessoais, ou a falta de informação. “Por que você é tão diferente do seu irmão? Sua irmã jamais faria uma maldade como essa! Seu irmão é perfeito”, essas são comparações que, de forma intencional ou não, podem servir de estímulo ou provocar baixa estima nos filhos. “Esse sentimento cultivado ao longo dos anos poderá catalisar um conflito no futuro, principalmente quando os familiares trabalham juntos na empresa da família”, completa Adachi.

Existem momentos nos quais o conflito aflora com maior facilidade e o momento da sucessão é um desses, especialmente quando ela decorre do falecimento do pai, situação na qual cresce a expectativa sobre o posicionamento das pessoas na organização, especialmente com relação aos herdeiros, seus cônjuges e seus próprios descendentes. “O potencial de conflito aumenta ainda mais no momento da sucessão, quando disputas pelo poder e ciúmes entre familiares chegam a destruir gigantescas sociedades e acabam por ruir verdadeiros impérios empresariais”, explica o consultor.

Essas situações são bastante comuns, tanto que pesquisas internacionais indicam que somente 1/3 das empresas familiares sobrevivem à passagem para a segunda geração e, entre as sobreviventes, somente 15% chegam à terceira geração. Todavia, as empresas familiares não estão condenadas ao insucesso. “A solução é realizar um planejamento sucessório, com a determinação de regras para conduzir de forma racional os diversos assuntos conflitantes, muitos dos quais são evitados”, finaliza.

Entretanto, há corretoras de seguros onde a família trabalha unida desde o pai, mãe até os irmãos. É o caso da Única Seguros, que tem no comando o empresário Jorge Eduardo de Souza e algumas funções estratégicas estão nas mãos dos filhos. “Aqui na Única somos uma grande família, incluindo também nossos funcionários. Todos mantêm o respeito e a disciplina profissional, sendo parente ou não. Por isso, atendemos nossos clientes com a mais alta qualidade em produtos e serviços”, explica Souza.  “Dois, dos meus quatro filhos, estão em cargos estratégicos aqui na empresa, o que me deixa muito confortável na hora de tomar decisões”, ressalta o executivo.

Independentemente da formação societária da corretora, os conflitos entre pais e filhos podem existir a qualquer momento, ainda mais quando os dois trabalham juntos. “Sabemos que liderar é conseguir que outras pessoas façam o que queremos, é influenciar os outros em suas atitudes. Todos os pais gostariam que seus filhos fossem melhores que eles mesmos, por isso, precisam agir como líderes para, assim, influenciá-los a serem como desejam”, explica a consultora organizacional Sonia Jordão.

Sonia ainda dá algumas dicas de liderança, que, segundo ela, são usadas por bons líderes nas organizações:

  • Respeite o direito do outro, assim você conquista sua confiança.
  • Saiba ouvir, preste atenção no outro.
  • Seja capaz de compreender e perdoar. Errar é humano.
  • No lugar de impor suas idéias, procure conquistar seus filhos, com afeto e segurança.
  • Busque conhecer a si mesmo e principalmente a seus filhos.
  • Respeite as diferenças entre as pessoas, não trate um filho da mesma forma que trata o outro.
  • Seja firme, sem usar a agressividade. Procure impor sua autoridade pelo respeito e exemplo e não pela força.
  • Saiba por que está dizendo um “não” e mantenha sua palavra.
  • Coloque limites, assim seu filho aprenderá que não pode ter tudo o que quer, na hora e da forma que quer. A vida nem sempre nos oferece o que queremos.
  • Cumpra o que prometeu, seja um prêmio ou uma punição e não prometa o que você não pode cumprir. A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído.
  • Delegue responsabilidades.
  • Dê feedback, seja ele positivo ou negativo. Mostre onde o outro está errando, isso o ajudará a crescer.
  • Seja exemplar. As pessoas seguem o que você faz e não o que você diz para fazerem.
  • Evite punir quando estiver irado, espere se acalmar e aí corrija os erros que percebeu.
  • Procure acentuar as características positivas de seus filhos. Quando alguém recebe um “rótulo” de que é de alguma forma fará muita coisa para manter isso.
  • Use a máxima da liderança que é: elogiar em público e criticar em particular.

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Sobre os consultores

Pedro Podboi Adachi é sócio-diretor da Societàs Consultoria, organização especializada em assessorar empresas familiares em assuntos como planejamento sucessório, governança corporativa e governança familiar. É professor universitário em diversas instituições, palestrante e pesquisador, além de ser autor do livro Família S.A. – Gestão de Empresas Familiares e Soluções de Conflitos. Site:www.societas.com.br

Sonia Jordão é especialista em liderança, palestrante e consultora organizacional. Autora do livro: “A arte de Liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado” e do romance corporativo: “E agora, Venceslau? – Como deixar de ser um líder explosivo”.

Site: www.soniajordao.com.br

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