Itaú encerra sociedade com XL

Itaú encerra sociedade com XL

O casamento entre Itaú e o grupo XL Capital, um dos maiores do mundo em seguro e resseguro, durou pouco. O banco está próximo de fechar a compra da fatia de 50% da XL na joint venture criada por ambos em agosto de 2006, e encerrar a sociedade.

O Itaú deve pagar cerca de R$ 120 milhões pelas ações da XL na joint venture, segundo fontes ligadas à operação. As negociações duraram mais de um ano. O fim da parceria era dado como certo pelo mercado após a fusão do Itaú com o Unibanco, em novembro do ano passado. O Unibanco tinha uma seguradora em associação com a americana AIG, que era a maior do país no mercado de grandes riscos (que cuida de apólices de alto valor, como plataformas de petróleo, fábricas, usinas e aeronaves).

Com os problemas na AIG, que precisou ser socorrida às pressas pelo governo americano, o Unibanco comprou a participação da americana na seguradora criada há mais de 10 anos. O grupo XL Capital, que tem sede em Bermudas, também enfrentava problemas financeiros no exterior por conta da crise. Só no ano passado, teve prejuízo de US$ 2,8 bilhões e freou investimentos no mundo todo.

Em algumas linhas de negócios, havia sobreposição entre a Itaú XL e a seguradora do Unibanco. O grupo XL é forte, por exemplo, no segmento de petróleo e aeronáutico. Tem algumas coberturas para poços de perfuração que quase ninguém no mundo oferece, diz Gustavo Mello, da Correcta Seguros, corretora que trabalha nesses segmentos. A Itaú XL é a atual seguradora da Petrobras, no maior contrato de seguro fechado no país.

Recentemente, a Itaú XL perdeu um executivo importante. Jacques Bergman, que era diretor superintendente, deixou a empresa para tocar os negócios do grupo canadense Fairfax no país. Em setembro, a empresa de avaliação de riscos Standard and Poor’s (S&P) deixou de avaliar a Itaú XL, a pedido da própria seguradora.

A Itaú XL foi criada em 2006 com capital de R$ 170 milhões para atuar exclusivamente com grandes riscos. A estratégia do banco era se posicionar para a abertura do mercado brasileiro de resseguros. Com o fim da parceria, executivos ligadas ao negócio dizem que o Itaú vai tocar sozinho a área de grandes riscos. Procurado, o banco informou que “não comenta rumores”. No anúncio da associação com a Porto Seguro, em agosto, Roberto Setubal, presidente do Itaú, afirmou que o contrato com a XL estava sendo “rediscutido”.

A XL continuará no Brasil. Além do mercado de seguros, o grupo XL, que tem mais de US$ 7 bilhões em receitas, abriu no país no ano passado um resseguradora própria. Foi um dos poucos grupos a se aventurar a abrir uma empresa local, com sede no país, para concorrer diretamente com o IRB Brasil Re, que tinha o monopólio do setor. A XL Resseguros Brasil movimentou R$ 92 milhões esse ano, até setembro, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep). O mercado movimentou R$ 2,5 bilhões no período. O IRB ainda detém 80% dos prêmios.

A crise financeira complicou as parcerias que grandes empresas estrangeiras tinham com seguradoras brasileiras. Além da XL e da AIG, anteontem o ING, que é sócio da SulAmérica, anunciou que vai vender todas suas operações de seguro no mundo.

Já as seguradoras que escaparam da crise vêm aumentando investimentos no país. Um dos exemplos é a Mapfre, que passou a ser sócia do Banco do Brasil em ramos elementares. A americana Liberty trouxe sua resseguradora ao país e ainda sua divisão global de grandes riscos, chamada de LIU. As japonesas também aumentaram a presença no país. A Yasuda comprou em maio 50% da Marítima.

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Fonte: Valor Econômico | Finanças | SP

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