Jovem não quer mais só cursos: quer emprego

Jovem não quer mais só cursos: quer emprego

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Como muitos projetos sociais, o Programa “Plantando o Amanhã” nasceu há 14 anos com uma visão totalmente humanística. A ideia da parceria entre a Cruzada do Menor e o Shopping Nova América, em Del Castilho, subúrbio do Rio, era atender crianças, jovens e idosos carentes num espaço acolhedor.

Tudo ia muito bem, mas tanto jovens beneficiados como empresários parceiros foram aos poucos sentindo necessidade de algo mais, de resultados mais visíveis. No caso, geração de empregos.

E é essa a principal mudança em andamento no projeto.

O número de crianças e idosos atendidos pelo “Plantando o Amanhã”, num anexo ao shopping, continua o mesmo de 2004, quando a Razão Social noticiou o programa pela primeira vez: em torno de 180 crianças e 25 idosos. A quantidade de jovens, porém, caiu de 182 para 120. Durante um semestre, eles aprendem a trabalhar em creches ou jardinagem, além de receberem noções de informática e reforço escolar.

– O número de jovens diminuiu devido a uma reorientação pedagógica.

Fomos sempre focados na relação humanística e queremos nos voltar também para a empregabilidade. Esses jovens têm potencial, muitos trabalham no shopping e queremos atrair mais empresas com um banco de dados para que esses jovens ou seus familiares tenham prioridade para preencher uma vaga – disse Carlos Martins, superintendente do Nova América.

As moças que se formam como auxiliar de creche têm conseguido trabalho em unidades particulares e da Prefeitura do Rio. Segundo o superintendente da Cruzada do Menor, Belmiro Nunes, para os rapazes que aprendem jardinagem também há grande demanda, mas a entidade busca mais parceiros para garantir o trabalho deles: – Vamos continuar formando prioritariamente cidadãos, mas temos que pensar também com a lógica da empresa que produz e precisa escoar sua produção. Por isso estamos agendando convênios no sentido da empregabilidade – explicou Belmiro.

Uma parceira é a Sul América, que empregou mais de cem ex-alunos. A Ancar, administradora do shopping, que financia o projeto junto com lojistas, também emprega vários deles.

Um dos jovens que agarrou essa oportunidade com força foi Cássio Padovani, hoje com 22 anos. Ele fez jardinagem no “Plantando o Amanhã” em 2004, estagiou na Cruzada do Menor, foi cobrir férias de um office-boy no shopping e acabou ficando por dois anos nessa função. Com sacrifício, ele começou a cursar a faculdade de Ciência da Computação, que deve concluir no fim deste ano, e conseguiu uma vaga de auxiliar administrativo na Ancar, onde hoje trabalha no setor de tecnologia da informática.

– Não foi fácil, já fui muito a pé para casa no Complexo do Alemão para usar o auxílio de transporte no pagamento da faculdade. Mas hoje vejo que valeu a pena – avaliou Cássio.

Belmiro crê que é um dever da Cruzada e de outras instituições que trabalham com jovens buscar parceiros para empregá-los. Para quem investe nos projetos também é importante ter em mãos os resultados das atividades com os jovens nos empregos formais até para se decidir manter ou não o apoio. Para melhorar o registro desses resultados, uma associação de ex-alunos está sendo formada. Assim o número de empregados após os cursos – hoje estimado em mais de 500 – passará a ser conhecido por todos.

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