Juro menor faz seguradoras investirem em eficiência

Juro menor faz seguradoras investirem em eficiência

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Com um cenário já consolidado de taxa de juros abaixo de dois dígitos, a 8,75% ao ano, seguradoras brasileiras – ligadas ou não aos bancos – terão de ser mais eficientes no resultado operacional a fim de compensar o menor ganho que terão com as operações financeiras.
“Eficiência será a palavra de ordem para as seguradoras daqui para a frente. Com a redução da taxa de juros, as seguradoras terão de ser mais ágeis na emissão das apólices, na cobrança e no pagamento das indenizações”, disse Mauro Batista, presidente do Sindicato das Seguradoras, Previdência e Capitalização do Estado de São Paulo (Sindseg-SP).

Ele lembrou que os investimentos das seguradoras são acompanhados de perto pelos órgãos reguladores, a fim de preservar as reservas técnicas. “Então, neste sentido, as companhias não podem querer inovar.”

Inclusive a SulAmérica já está buscando adequar sua estratégia à queda da taxa básica de juros. Segundo a instituição, há espaço para redução de custos operacionais, além de aumentar a seletividade de investimentos. “Estamos identificando processos e buscando aumentar a eficiência operacional. Além disso, também vamos ajustar precificação e o controle de gastos para buscar melhores resultados finais”, afirmou Arthur Farme d’Amoed Neto, vice-presidente de Relações com os Investidores (RI).

A Bradesco Seguros sentiu na pele a questão da seletividade nos investimentos. O lucro líquido da instituição recuou de R$ 1,46 bilhão no primeiro semestre de 2008, para R$ 1,28 bilhão no mesmo período deste ano. A queda de 11,1% do lucro líquido do primeiro semestre foi impactada basicamente pelo aumento da alíquota da CSLL de 9% para 15%, o que onerou o resultado do semestre, e pela queda da receita apurada nos ativos de renda variável (fundos e ações).

Ainda assim, o índice combinado, que mostra o desempenho operacional do grupo segurador, ficou em 85,5% ao final do segundo trimestre deste ano, ante os 84,9% registrados em igual período do ano passado. Sabe-se que, quanto menor o índice combinado, mais lucrativa é a companhia do ponto de vista operacional.

Já o lucro líquido recorrente da operação de seguros, previdência e capitalização do Itaú Unibanco alcançou R$ 292 milhões no segundo trimestre deste ano, montante 9,9% inferior aos R$ 324 milhões registrados de janeiro a março de 2009. A redução se justifica, em parte, pelo fato de a companhia ter recebido dividendos do IRB Brasil RE no primeiro trimestre, no valor de R$ 36,1 milhões. Até junho, o lucro foi de R$ 616 milhões – 13,5% do resultado do grupo. “Estamos acelerando a fusão das companhias, procurando agregar o melhor de cada empresa aos produtos. Unificamos uma boa parte da carteira e vamos atrás de atrair novos clientes. Esse processo vai se refletir em resultados cada vez melhores”, diz Zeca Rudge, vice-presidente da área de seguros do Itaú Unibanco.

Contraponto

Mas nem todas as seguradoras apresentaram desempenho ruim no período. Os negócios com seguros, previdência e capitalização agregaram ao Banco do Brasil (BB) R$ 848 milhões, entre equivalência patrimonial e receitas de serviços, incremento de 12% em relação a 2008.

Neste ano, o banco iniciou a expansão da comercialização dos seguros pessoais, elementares e de veículos por corretores de mercado. “O BB está buscando formas de aumentar a captura de valor e rediscutindo a forma de atuação. Esse realinhamento já está no processo final, e deve ser divulgado em breve”, afirmou Aldemir Bendine, presidente do BB.

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Fonte: DCI OnLine

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