Mudanças no mercado de seguros de carros aumentam a competição

Mudanças no mercado de seguros de carros aumentam a competição

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O mercado de seguros para automóveis, o principal do setor de seguros no país, passa por mudanças que devem aumentar ainda mais a concorrência entre as seguradoras e ter reflexos para corretores e consumidores. Em disputa, mais de R$ 18 bilhões, que é o volume de prêmios que o setor deve movimentar esse ano.

Primeiro foi o acordo entre Porto Seguro e o Itaú Unibanco, fechado em agosto. A Porto vai cuidar da seguradora de carros do banco e ainda ter acesso aos clientes do Itaú. A parceria ampliou a liderança da Porto no ranking, que passa a ter cerca de 28% dos prêmios do setor.

Agora, há a movimentação do Banco do Brasil, que planeja dois passos importantes, ambos com reflexo nas apólices de automóveis. O BB está reestruturando toda sua área de seguros e ainda negocia a compra de uma participação na SulAmérica, a segunda maior seguradora do mercado de automóveis. O passo dois é começar a usar corretores independentes para vender esses seguros na seguradora de carros do banco, a Brasilveiculos, fato inédito nos 15 anos da empresa.

As grandes seguradoras já começam a se movimentar para não perder sua fatia de mercado e ainda conquistar novos clientes. Para complicar, a simples competição via preços ficou mais complicada. Com a queda da taxa básica de juros, os ganhos financeiros das seguradoras com a aplicação das reservas técnicas no mercado caíram consideravelmente.

Antes, esses ganhos compensavam eventuais perdas operacionais que vinham das guerras de preços, comuns para uma seguradora roubar cliente de outra. No novo cenário, é preciso lucrar também com o lado operacional.

Na Bradesco Seguros Auto/RE, a seguradora de carros do Bradesco, a expectativa é de expansão de 15% nos prêmios para 2009, número acima da média dos anos anteriores, segundo Ricardo Saad, seu diretor presidente. O banco tentou comprar a Porto, mas por não querer ceder o controle da empresa, acabou perdendo o negócio para o Itaú Unibanco.

A Bradesco Seguros tem como armas a atuação nacional do banco, que tem trazido novos clientes pelo país. Nos primeiros sete meses do ano, por exemplo, os prêmios com as vendas de seguros de carros subiram 17% no Paraná e 46 % no Rio de Janeiro. Na média nacional, a alta foi de 14%. Outro objetivo é melhorar os serviços, para manter os atuais clientes. Para isso, a seguradora quer aumentar o número de centros de atendimento ao cliente, que fazem desde avaliações no carro até reparos. Já foram abertos sete e novas unidades serão inauguradas, principalmente no Estado de São Paulo, mercado mais competitivo para o seguro de automóveis.

A Tokio Marine, que está entre as dez maiores do setor, aposta em programas de incentivos aos corretores para expandir as vendas. Com comissões mais polpudas e prêmios, como uma viagem a Dubai, a seguradora quer ganhar posições no ranking. Nos primeiros sete meses do ano, as vendas de seguros de carros para pessoas físicas aumentaram 50%, diz Marcelo Goldman, diretor da Tokio. Para ele, em meio à forte competição, as margens do segmento vão continuar baixas e com tendência de queda, enquanto as guerras de preços tendem a desaparecer.

Já as seguradoras de menor porte tendem a ter impacto menor da briga entre as grandes. Farid Eid Filho, diretor da Alfa Seguradora, avalia que as companhias menores têm corretores mais fiéis e escolheram operar em nichos específicos de mercado de automóveis.

Contrariando todas as previsões do início do ano, o mercado de seguros de carros surpreendeu e cresceu 12% este ano, até agosto, segundo os dados mais recentes da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Os prêmios emitidos somaram R$ 8,6 bilhões. Já as margens, apesar de apresentarem um crescimento nominal de 12%, tiveram declínio de 14,4% dos prêmios para 12,5% no período, segundo análise do consultor Luiz Roberto Castiglione.

Em meio à crise, as estimativas eram de expansão dos prêmios na casa dos 5% ou 6% para 2009. Mas a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que o governo fez no início do ano com o objetivo de estimular o setor, acabou puxando as vendas de automóveis e, com isso, as vendas de seguros. Setembro foi um novo mês de recorde de vendas.

A isenção do IPI acabou no dia 30 de setembro. Até janeiro de 2010, o percentual do imposto deve voltar a normalidade, em torno de 7%, de forma gradativa, para os veículos populares.

Para o diretor de produtos de automóvel da SulAmérica, Anderson Mello, a tendência é que ocorra um “pequeno reajuste nos preços” do seguro de automóveis nos próximos contratos. A razão é que o valor do carro, que é um item importante para o cálculo do risco e a posterior definição do valor do prêmio, vai aumentar.

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Fonte: Valor Econômico | SP

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