Roubo de carro cai, seguro não

Roubo de carro cai, seguro não

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Seguradoras se reúnem para discutir índices de violência e dizem que preços não devem baixar
Vera Araújo

Apesar de uma queda de quase 20% nos índices de roubos de veículos nos últimos dez anos no estado, de acordo com a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), o valor dos seguros não cai. Numa reunião realizada ontem com representantes das seguradoras, o diretor-executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), Neival Rodrigues Freitas, propôs uma avaliação técnica, para descobrir o que está acontecendo com o preço dos seguros de 1999 até hoje e confirmar se houve realmente uma redução no número de carros roubados e furtados no Rio.

– Pedi para ser apurado o impacto desses índices de roubos de carros no preço do seguro nos últimos dez anos. Não pretendemos fazer um realinhamento de preços. Queremos saber se a queda nos índices é verdadeira. Sabemos, no entanto, que, nos últimos dois anos, caiu o número de veículos recuperados – disse Neival.

Segundo o diretor-executivo da Fenseg, atualmente, recuperam-se 43% dos carros roubados, enquanto em 2001 o índice era de 57%. O dado foi contestado pela DRFA, que informou que as estatísticas mostram que 50% dos veículos levados por ladrões são recuperados. De acordo com a delegacia, houve uma queda de 10,9% nos roubos e de 5,6% nos furtos, comparando-se os anos de 2008 e 2009. De 2006 a 2009, houve redução de 39,6% nos roubos.

Governador critica valores altos

Neival adiantou que, caso tenha ocorrido realmente queda nos roubos e furtos nos últimos anos, não haverá redução no preço do seguro. Isso porque não é apenas a diminuição na quantidade de veículos roubados que influencia os valores. Além disso, os clientes hoje têm uma série de serviços, criados para estimular a concorrência entre as seguradoras.

– A seguradora primeiro calcula quanto será gasto com aquele automóvel. Ela faz a previsão dos riscos de suas despesas. O principal item são as indenizações. A empresa precisa ter recursos para cobrir as despesas, incluindo os impostos e a margem de lucro, afinal, as seguradoras são administradoras de recursos. O objetivo é arrecadar de muitos para recompor o patrimônio de quem sofre o sinistro – disse o diretor.

O governador Sérgio Cabral resolveu puxar a orelha de alguns empresários do ramo com relação aos preços do seguro. Ele argumenta que a polícia está fazendo sua parte, que é reduzir o número de roubos e furtos de veículos.

– O meu papel é estimular a competição entre as seguradoras para que elas diminuam o valor do seguro, ou seja, reduzam o preço de acordo com a realidade local. Não tem cabimento haver uma queda nos índices de roubos de carros e os preços continuarem os mesmos. Espero que a concorrência entre as companhias faça com que algumas tenham a iniciativa de baixar seus preços – disse Cabral.

Para o governador, as metas criadas pela Secretaria de Segurança estão ajudando na queda dos índices de roubos de carro: – O policial ganha uma remuneração extra quando atinge a meta e a população também acaba ganhando com a redução da violência.

Para piorar a situação de quem precisa segurar seu carro, moradores de bairros com maior incidência de roubos e furtos acabam pagando bem mais caro para proteger seu patrimônio.

É o que os corretores chamam de “preço do CEP”. De acordo com os cálculos de uma seguradora conceituada, o seguro de um Gol zero quilômetro, flex, motor 1.6, em Cordovil custa em média R$ 4.331.

Mas, se o cliente mora em Copacabana, o preço sai por R$ 2.128, ou seja, a metade. A diferença é explicada porque a delegacia que cobre a região de Cordovil está entre as dez unidades onde há mais registros de roubos no Rio.

Segundo um corretor que pediu para não ser identificado, alguns clientes se sentem discriminados por morarem em área de risco e não entendem por que precisam pagar mais caro pela falta de segurança.

– Ficamos numa situação difícil. Como é que eu vou falar para a pessoa que ele mora numa área ruim, perigosa? Temos que usar a psicologia nessa hora. Eu digo que a área dele não é muito favorável para a redução do valor do seguro – explicou o corretor.

Outro dado que irrita quem quer fazer o seguro de um carro é a obrigatoriedade de responder a um questionário. Segundo Danilo de Souza Sobreira, assessor da diretoria da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor-RJ), as perguntas são necessárias para formar o perfil (do carro e do segurado) e estabelecer o preço do seguro: – Os corretores precisam ter paciência para explicar que uma pessoa com 25 anos, por exemplo, está mais propícia a sofrer um acidente.

As estatísticas comprovam isso. O mesmo ocorre quando você precisa dizer que o segurado paga mais por morar em área de risco. O Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro e Espírito Santo não quis se pronunciar sobre o valor dos seguros. Caindo ou não o preço do seguro, a polícia vem fazendo o dever de casa.

Ontem, a DRFA apreendeu 30 veículos roubados, sendo 23 motos e sete automóveis, na favela Parque União, do Complexo da Maré. Durante a operação, foi preso Ademir da Silva Prata, de 40 anos, que, segundo a polícia, já havia sido condenado por roubo de carros. De acordo com o titular da DRFA, delegado Marcio Mendonça Dubugras, o bandido foi flagrado com peças originárias de veículos roubados. Quando os policiais chegaram à favela, os traficantes soltaram fogos e atiraram para o alto para alertar seus cúmplices. Os investigadores foram logo ao local onde ocorria o desmanche de carros, roubados principalmente na Avenida Brasil e na Linha Vermelha.

– Soubemos que o Ademir havia voltado para o crime, embora tivesse deixado a prisão há pouco tempo – disse o delegado.

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Fonte: O Globo | Rio | RJ

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