Tokio Marine deixa R$ 678 milhões no Brasil

Tokio Marine deixa R$ 678 milhões no Brasil

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A Tokio Marine resolveu deixar no Brasil todo o dinheiro que recebeu da venda da seguradora que tinha em parceria com o Banco Real. O Santander pagou R$ 678 milhões por 50% da joint venture criada em 2005 para atuar no mercado de vida e previdência.

A venda foi feita em março. A decisão inicial, após a aprovação dos órgãos reguladores, era remeter esse dinheiro para a matriz no Japão. Mas o conselho da Tokio Marine, que completou este ano 50 anos de atuação no Brasil, decidiu manter os recursos no país. O Brasil é a terceira maior operação da Tokio fora do Japão, atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Segundo Akira Harashima, presidente da companhia no país, parte dos recursos serão investidos em tecnologia, em equipamentos e sistemas. O objetivo é tornar mais ágil e modernizar alguns procedimentos para a emissão de uma apólice. Outro percentual vai ficar no caixa da empresa, para eventuais necessidade. “O Brasil está no topo do mundo atualmente. Por isso o grupo decidiu manter tudo aqui”, diz Harashima, que está há pouco mais de um ano no país e aprendendo a falar português.

A Tokio já fez um aumento de capital e já está enquadrada nas novas regras da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Mas Harashima prevê necessidade adicional de recursos quando passar a publicar o balanço pelas normas internacionais.

No Brasil, a seguradora traçou um plano para crescer organicamente. Segundo seu presidente, não há planos de aquisição. Em 2005, a Tokio surpreendeu o mercado e levou a seguradora de ramos elementares do Banco Real. Além disso, criou uma joint venture com o banco para atuar em vida e previdência. O contrato previa que se o Real fosse vendido, o comprador do banco teria preferência para negociar os 50% das ações da joint venture.

A Tokio mantinha um contrato de exclusividade com o Banco Real para a venda de seguros na rede de agências do banco. Segundo Harashima, ele está sendo renegociado com o Santander. “Estamos em fase final das conversas”, diz o executivo.

O principal canal de vendas da Tokio são corretores. A seguradora também tem algumas parcerias com o varejo, como por exemplo a rede C&A. Mas o segmento de grandes riscos é o que mais cresce, por conta da expansão de investimentos em setores de energia, transporte, petróleo e construção civil. Neste ano, a expansão dos novos negócios na Tokio é de 30% – frente a expansão geral de 6%. A seguradora vem conseguindo reduzir a dependência da carteira de automóveis, que chegou a representar 60% da carteira há três anos. Agora está em 40%.

Harashima prevê maior competição após a associação entre Itaú e Porto Seguro e Mapfre e Banco do Brasil. Mas por conta da queda dos juros básicos e a necessidade de maior eficiência operacional, ele diz que a seguradora não vai entrar em guerra de preços apenas para subir no ranking.

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Fonte: Valor Econômico | Finanças | SP

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